Quinta feira à noite, o centro de Campina Grande sem grandes atrativos para uma boa volta, mas numa outra extremidade da cidade estava a começar um projeto cultural onde me reservava algumas surpresas, pois, lá vi como tudo que tinha para dá “errado” numa apresentação, deu certo. Por que dá errado? Rebato-lhe, também, com uma indagação: Como pode uma prévia de São João, com cantadores de um bom forró autêntico, ser realizado num local onde as pessoas ficam sentadas sem poder dançar?
Chego ao teatro, com a pontualidade que me faz com que não deixe ninguém esperar, às 6:25 da noite, pois o projeto no qual me referi chama-se: Projeto 6:30 (seis e meia), que por ventura começou pouco depois das 7 horas, daí minha primeira desconfiança, fiz logo uma pequena analogia com assistir domingo legal no sábado (risos).
Mas, algo que me chama mais atenção naquele âmbito de animação plena, e de euforia para encontrar um bom “par para dança”, para aqueles que não se importavam em dançar nas escadarias, claro! Estava lá, uma doce menina com necessidades especiais, isso! Uma cadeirante, que enfrentou uma grande dificuldade para se locomover dentro do teatro do Garden Hotel, pelo simples fato do mesmo não está adaptado às pessoas que necessitam de acessibilidade para transitar no local. Porém, tudo isso tornou-se quase ínfimo quando, num ato de curiosidade de onde essa doce menina ia sentar, acompanhei-a com os olhos para ver as dificuldades da mesma teria em se deslocar para um bom lugar e apreciar as apresentações, quando num súbito ato inesperado, pelo menos pra mim, um homem que se mostrava ser o pai, tirou-a da cadeira e a levou dentre os corredores apertados formados por cadeiras. Nesse instante percebi a enorme felicidade de alguém, que não possui o simples movimento perfeito das pernas, estampada no rosto da menina por está “andando”, deixando em contato ao chão, os pés que muitas vezes só tem o frio e “constrangedor”, para alguns, contato com o ferro da cadeira de rodas.
Com tantas coisas que aconteceram nesse dia, não poderia deixar de comentar esses fatos, que sobressaíram ao atraso do projeto, mas nada que me faça achar que o projeto não tenha que começar no horário certo.
Thiago Xavier
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